Resumo
O presente artigo abordou a temática da virtude da fortaleza como fundamento ético da prática do cuidado a partir da antropologia de Tomás de Aquino. A pergunta que norteou a pesquisa foi: como o cuidado pode ser eticamente sustentado diante da vulnerabilidade, do sofrimento e do medo que marcam a condição humana? O objetivo do estudo de demonstrar de que modo a virtude da fortaleza, em articulação com a prudência, a graça e as demais virtudes, procurou oferecer critérios sólidos para perseverar no cuidado de si e do outro mesmo em contextos adversos. A metodologia adotada foi teórico-bibliográfica, de caráter analítico-interpretativo, com base principal na Summa Theologiae, especialmente nas questões relativas ao hábito, às virtudes morais e à fortaleza, em diálogo com a ética do cuidado. Como resultado, evidenciou-se que a fortaleza, ao ordenar o temor segundo a razão e sustentar a vontade no bem, constitui elemento indispensável para uma prática do cuidado estável, racional e verdadeiramente humana, integrando vulnerabilidade, responsabilidade moral e caridade.Referências
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