Synesis (ISSN 1984-6754) https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis <!-- Global site tag (gtag.js) - Google Analytics --> <p>Synesis, uma distinta revista sob os auspícios do Centro de Teologia e Humanidades da Universidade Católica de Petrópolis, é publicada desde 2009. É dedicada a promover a excelência acadêmica por meio da disseminação de pesquisas originais e artigos em um amplo espectro das humanidades. Refletindo as diversas disciplinas acadêmicas do centro, a Synesis abraça uma ampla gama de assuntos, incluindo filosofia, teologia, história, literatura, educação e música. A revista visa servir como um fórum vibrante para o diálogo interdisciplinar, incentivando contribuições que explorem as intersecções desses campos, abordem questões contemporâneas sob uma perspectiva humanística e contribuam para o enriquecimento do conhecimento e compreensão humanos. A Synesis compromete-se a publicar artigos perspicazes que reflitam pesquisas rigorosas, metodologias inovadoras e um profundo engajamento com as humanidades, visando inspirar acadêmicos, profissionais e estudantes igualmente.</p> pt-BR sergio.salles@ucp.br (Sergio Salles) synesis@ucp.br (Paulo Cerqueira) Tue, 14 Apr 2026 17:49:00 +0000 OJS 3.3.0.6 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 A METAFÍSICA DO INDIGENATO https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3511 <p><span style="font-weight: 400;">O artigo realiza uma análise fenomenológica comparativa da metafísica da brancura, da negrura e do indigenato, articulando Frantz Fanon com a experiência histórica e existencial dos povos indígenas da Amazônia, especialmente os Paiter Suruí. A brancura é entendida como norma invisível e universal, sustentada pela pretensão de neutralidade que transforma diferença em ausência. A negrura é reduzida ao esquematismo epidérmico, aprisionando o sujeito à pele e bloqueando sua temporalidade. Já o indigenato opera como dispositivo de exclusão que infantiliza, tutela e desautoriza cosmologias originárias, legitimando epistemicídios e a expropriação territorial. Dialogando com Césaire, Kilomba, Mbembe, Dussel, Maldonado-Torres, Ribeiro de Almeida e Gondim, o artigo argumenta que esses três dispositivos estruturam uma gramática da colonialidade da plenitude da vida, cujo alcance ultrapassa o plano político-econômico e afeta a constituição do existir. Contudo, a fenomenologia mostra que a negatividade nunca é absoluta: práticas de resistência negra e indígena - oralidade, cantos, línguas preservadas e memória ancestral - abrem fissuras que desestabilizam a lógica do não-ser e projetam formas insurgentes de recomposição do ser. Conclui-se que a análise dessa tríade permite compreender a totalidade do projeto colonial e vislumbrar um humanismo insurgente, não eurocêntrico e enraizado na pluralidade das lutas e cosmologias.</span></p> Marcos Aparecido Atiles Mateus, Ericson Savio Falabretti Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3511 Tue, 14 Apr 2026 00:00:00 +0000 A INFORMAÇÃO SEMÂNTICA DE FLORIDI REVISITADA https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3522 <p>O presente artigo oferece uma reconstrução sistemática e um exame crítico da teoria fortemente semântica da informação (TSSI) de Luciano Floridi. Após situar o projeto floridiano no contexto mais amplo da filosofia da informação e identificar os problemas que o motivam (particularmente o paradoxo de Bar-Hillel–Carnap e o escândalo da dedução), o<br />artigo articula os compromissos centrais da TSSI: a definição geral de informação (GDI), a tese veritativa e a medida de informatividade i(P) = 1−[d(P)]². A dissolução floridiana de ambos os problemas clássicos é examinada e avaliada. O artigo avança então três objeções interconectadas que vão além das já estabelecidas na literatura: (i) a distinção entre 'ser<br />informativo' e 'ser informação' – que Floridi mobiliza para neutralizar o desafio das proposições falsas aparentemente informativas – revela-se instável e incapaz de sustentar o peso explicativo que a TSSI lhe impõe; (ii) confusões conceituais entre metadados, metainformação, informação dos dados e dados informacionais geram uma circularidade de<br />fundamentação na GDI que a metodologia dos níveis de abstração não dissolve; e (iii) descrições definidas introduzem indeterminação referencial que desestabiliza a própria medida de informatividade, dificuldade que não é periférica mas inerente a qualquer teoria da informação com pretensões de cobertura de representações em linguagem natural. O artigo posiciona também a TSSI em relação a alternativas baseadas em verossimilhança (Frické, D'Alfonso, Cevolani) e conclui esboçando, em termos deliberadamente prospectivos, uma direção de desenvolvimento fundada em adequação graduada e aptidão contextual.</p> Bismarck Bório de Medeiros Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3522 Tue, 14 Apr 2026 00:00:00 +0000 A RESISTÊNCIA ONTOLÓGICA DO MATERIAL NA OBRA DE ARTE https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3529 <p>Este artigo tem como objetivo reavaliar o estatuto ontológico do material na obra de arte por meio de uma linha de pensamento que se estende de Plato a Martin Heidegger. A tese central defendida é que, na tradição estética ocidental, o material foi sistematicamente suprimido, e que essa supressão se baseia em um pressuposto ontológico persistente que se mantém até Heidegger. Em Platão, o material é relegado a um plano de aparência que o afasta da verdade; em Aristotle, ele perde sua autonomia ontológica ao ser concebido como suporte da forma. Embora Roman Ingarden e Nicolai Hartmann transformem esse legado, ainda assim situam o material como uma camada inferior que não produz sentido. No âmbito dos conceitos de terra (Erde) e mundo (Welt), desenvolvidos no seminário “The Origin of the Work of Art” de Heidegger, examina-se a possibilidade de repensar o material. Por fim, coloca-se a seguinte questão: Heidegger conseguiu, de fato, libertar o material em sua autonomia ontológica?</p> Zeynep Münteha Kot Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3529 Tue, 14 Apr 2026 00:00:00 +0000 O INTELIGÍVEL EM AÇÃO E A UNIDADE DO CONHECIMENTO https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3530 <p>Este artigo examina o desacordo epistemológico e metafísico entre Averróis e Tomás de Aquino, com especial atenção ao status ontológico do intelecto e do inteligível em ato. Baseando-se principalmente no Longo Comentário de Averróis sobre o De Anima e no De Unitate Intellectus de Tomás de Aquino, o artigo defende que o ponto decisivo de separação entre os dois pensadores não é uma falha no raciocínio, mas a adoção de diferentes pressupostos metafísicos. Enquanto Averróis defende a unidade do Intelecto Material como condição necessária para a universalidade do conhecimento científico, Tomás de Aquino defende intelectos individualizados e sustenta que os inteligíveis em ato podem existir em uma pluralidade de mentes humanas. Ao acompanhar as funções conceituais do poder cogitativo, da abstração e da individuação intelectual, o artigo reavalia a força da crítica de Tomás de Aquino e considera a coerência da doutrina de Averróis dentro do quadro mais amplo da psicologia aristotélica.</p> Abdullah Demir Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3530 Tue, 14 Apr 2026 00:00:00 +0000 O CETICISMO GREGO ANTIGO E A INTERPRETAÇÃO DO PIRRONISMO EM HUME https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3540 <p>Este artigo explora a complexa relação entre o ceticismo grego antigo e a interpretação do pirronismo apresentada por David Hume. O ceticismo grego antigo, especificamente o pirronismo, surgiu como uma importante escola filosófica no período helenístico e exerceu profunda influência sobre o pensamento filosófico ocidental subsequente. David Hume, como filósofo do Iluminismo, dialogou com o ceticismo pirrônico e desenvolveu sua própria perspectiva singular acerca do ceticismo. O artigo inicia apresentando uma visão geral do ceticismo grego antigo, remontando às suas origens em Pirro de Élis, seu fundador. Em seguida, examina os princípios fundamentais do pirronismo, como a busca pela tranquilidade por meio da suspensão do juízo e da crença (epoché), bem como a prática da oposição argumentativa. As características distintivas do ceticismo pirrônico são analisadas à luz de seu contexto histórico e filosófico. Em conclusão, este trabalho procura esclarecer a intrincada conexão entre o ceticismo grego antigo, especialmente o pirronismo, e a concepção de ceticismo desenvolvida por David Hume. Busca-se destacar a profunda influência do ceticismo pirrônico no pensamento filosófico humeano, evidenciando a relevância duradoura e o impacto dessas tradições céticas na história da filosofia ocidental.</p> Ahmet Emre DEMİRCİ, Hüseyin Fırat Şenol Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3540 Wed, 03 Jun 2026 00:00:00 +0000 ESCATOLOGIA INAUGURADA https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3561 <p>Este artigo tem como objetivo fornecer uma explicação de uma influente conceituação da noção cristã de “escatologia inaugurada”. Essa influente concepção de escatologia foi proposta por N. T. Wright; contudo, identifica-se aqui um problema de inteligibilidade que precisa ser enfrentado para que essa concepção possa ser afirmada. Assim, formula-se um modelo filosófico dessa concepção por meio da utilização da ontologia temporal do Presentismo Prioritário (Priority Presentism), introduzida por Sam Baron, e de uma interpretação específica do modelo do Presente Objetivo em Movimento (Moving Objective Present) para a viagem no tempo, inspirada em Sara Bernstein e outros autores. Esse modelo permite que a escatologia inaugurada seja explicada de maneira clara e consistente, demonstrando-se que o importante problema de inteligibilidade foi tratado com sucesso.</p> Joshua R. Sijuwade Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3561 Wed, 03 Jun 2026 00:00:00 +0000 A IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES NA REPÚBLICA DE PLATÃO https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3568 <p>O problema da igualdade entre homens e mulheres na <em>República</em> de Platão não pode ser resolvido sem enfrentar a passagem 455c–d: tomada literalmente, ela parece afirmar a superioridade masculina precisamente onde o argumento igualitário mais exige consistência. O critério fixado em 454c–d, segundo o qual somente diferenças de natureza relevantes para uma função específica podem justificar a atribuição de funções distintas ou a recusa da educação necessária para desempenhá-las, é precisamente o que a passagem coloca à prova. Argumento que ela funciona como teste dialético: o momento em que Gláucon falha em aplicar esse critério e responde com base no desempenho socialmente observado sob uma educação assimétrica. Rejeitada a leitura literal, torna-se possível enunciar sem concessões o princípio de 454c–d: nenhuma diferença atribuível ao sexo enquanto tal é relevante para as capacidades exigidas pelas funções cívicas. Tampouco comprometem essa conclusão igualitária as objeções fundadas no <em>Timeu</em>, em interpretações que enfatizam diferenças fisiológicas entre os sexos ou na persistência de um vocabulário patriarcal na própria <em>República</em>.</p> <p>&nbsp;</p> Guilherme Domingues da Motta Copyright (c) 2026 Synesis (ISSN 1984-6754) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/view/3568 Wed, 03 Jun 2026 00:00:00 +0000