Resumo
Este artigo analisa o conceito de tempo morto como categoria política e existencial na sociedade contemporânea. A partir do capítulo Zona de Espera, de Paulo Arantes, investiga-se como o tempo, transformado em recurso escasso e moeda de poder, estrutura novas formas de dominação e desigualdade, especialmente entre as classes trabalhadoras. O estudo considera o controle do tempo, na forma de espera e imobilização social, como dispositivo biopolítico e simbólico de punição. Por meio de leitura crítica e hermenêutica, articulando Arantes, Foucault e Flusser, discute-se a relação entre biopoder, presentismo e idolatria da imagem. Conclui-se que o tempo morto evidencia não apenas a suspensão da experiência, mas também a negação da existência do sujeito contemporâneo, aprisionado entre aceleração tecnológica e paralisia social.
Palavras-chave: tempo; biopoder; presentismo; alienação; Paulo Arantes.
Referências
ARANTES, Paulo. O novo tempo do mundo: e outros estudos sobre a era da emergência. São Paulo: Boitempo Editorial, 2015.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: as confissões da carne. Vol. 4. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2020.
FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma filosofia da fotografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2005.
KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: o que é o Esclarecimento? In: KANT, Immanuel. Textos filosóficos escolhidos. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Martin Claret, 2004.

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